Estação de Caça
Aulas de Bio-qualquercoisa sempre chamaram a atenção dela. Se não acreditasse piamente que biólogos morrem de fome, ela seguiria este caminho.
A aula já estava se estendendo um pouco mais que o planejado: havia um trabalho a ser apresentado, deveria ser só aquilo e vadiagem pós apresentação.
Quando a professora finalmente parou de falar (mal) dos trabalhos, seguiram em grupo para o elevador.
Nossa personagem estava num daqueles dias estranhos em que gargalhadas e lágrimas são constantes. Estava incomodada com a frequente presença de um chato ao seu redor, mas o que poderia fazer? Já havia deixado claro dizendo "Olha, você é chato, não te quero puxando papo comigo!", mas o maldito havia achado engraçadinho e saiu rindo! Um caso típico de excesso de senso de humor.
Ao sair do elevador, seu telefone tocou. Era uma das promessas.
Ela já havia recebido uns SMSs estranhos desse indivíduo, mas achou normal, estavam se tornando amigos. O que ela não achou normal foi ter ficado vermelha ao notar de quem era a mensagem.
Um dos amigos a olhou e perguntou do que se tratava, ela riu e ficou em silêncio.
"É iniciada a estação da caça!" pensou consigo enquanto andava pela universidade em obras.
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Dias
E se...
Dentre um mundo normal
A rotina surreal
Pra quem acha que é legal
Ser do tipo que é banal
Acorda...
Banho...
Condução... uma, duas...
Trabalho...
Faculdade....
Dorme..
Acorda...
E o novo, chega quando?
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Nudez da Alma e Consequencias
Ela caminhava com sua sacola no ombro. O vento batia em sua face e fazia com que seus cabelos batessem desordenadamente em seu rosto. estava sobre o viaduto do chá.
Tanta coisa tão intensa! Desde que decidira despir sua alma tudo havia se tornado intenso, eterno, infinito...
Um som era motivo de emoção, um grito o manifestar de algo colossal, um toque acarretava sensações inimagináveis, e as palavras... as palavras se tornaram capazes de despertar sensações únicas e incrívelmente intensas.
Seu coração havia muito, vivia cheio de felicidade e ternura; seu belo ser rendido lhe oferecia o céu, e agora ela tinha asas, podia voar.
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Sentidos
Escolhas definitivas
Barreiras que desmorono,
Mudanças me tiram o sono
Forçadas as despedidas
Encontro breve amparo
No ritmo acalorado
Dos dias em que não paro
Eu sigo e me comparo
Com a Ana de outra vida
Menina toda inibida
Vontade de nem estar
Que hoje sabe que a vida
Não pode mais esperar
Marcadores: dias, sempre, Sentidos
Partida de Um Ponto
Minha parte menina sorria
Travessa que é nem pensou no depois
Seus fantasmas ela esquecia
Criou aquarela e um sonho compôs
Menina pensava e não se decidia
Partiu uma telha de tanto pensar
Temia o distante e o errado sentia
Sorriu bem sincero. O fez sem pensar
Vontade não lhe pertencia
Era parte do vento e queria voar
Mas o medo de altura ainda a perseguia
Tinha medo de quedas de cima do mar
Brisa leve nas mãos já sentia
Soltou-se no tempo e deixou-se levar
Seu futuro já não conhecia
Decidiu ir no vento e parar de pensar
Ser a parte sincera até ter de parar
Marcadores: O dia da música que eu não entendi, Sentidos
O Curioso Caso de Curioso
Curioso olha casa
Ao redor dela ergueram um muro
Curioso é curioso
O muro o instiga
Pular mero muro
Curioso quer saber
Curioso sobe no muro
Muro cai sob seus pés
Curioso cai e morre?
Ou cai dentro do muro?
Curioso acorda
Não há caso citado e nem mero muro
Uma história contada com fiapos de corda
Mais um sonho perdido
Mero muro no escuro
Marcadores: O dia da música que eu não entendi, Sentidos
Trecho
Das pontas que ficam
Soltas miragens
Apenas os traços
Nem sonhos, nem frases
Dos olhos que olham
Não ficam vestígio
Nem cor, nem grandeza
Nem fato e nem vício
Olham os frios
Aquecidas são as almas
Ousam os dispostos
Despistando-se do que sentem
Escutam os pacientes
Implorando por silêncio
Mas ninguém prova que alcança
Ninguém alcança provas
E assim por diante
Marcadores: Sentidos
Mente...
Mente minha que não mente
Mete a língua nos dentes
Não sabe pensar que não
Mente minha, eterna mente
Não escondeu de mim o que sente
Quis sentir escondido
Quis querer, quis em vão
Mente que tranquilamente
Não se fez indiferente
Fez o pensar contínuo e o suor nas mãos
Marcadores: Sentidos
Cinzento
Olho no nada
Nada em peito
Enxurrada
Flor errada foi ceifada
Ar satisfeito
Hora marcada
Ponto sem nó
E um nó sem ter nada
Em suspenso, um suspiro
Uma vida selada
Um pedaço de gente
Num pedaço de nada
Nada e é só...
Marcadores: Sentidos, ódioda hipocresia
Impressões
O mundo: metamorfose constante
Viver intenso, sorrir constante, pensar contínuo
E milhares de idéiazinhas, que de insolentes que são
Se jogam na vida alheia
Nem sequer pedem licença
O mundo alheio (porque bem ou mal, cada um cultiva um mundo) causa medo
Cada mundo tem um brilho, e o brilho de alguns vem de uma redoma
Por que não no lugar da redoma uma cuspidela e uma flanelinha?
Não há mais brilho nas coisas simples?
Os dias tem que ser como os versos brancos
Nenhuma beleza previsível
Nenhum padrão estabelecido
Cheio da beleza que provém do incerto meio bagunçado
E o bagunçado nunca foi tão ordenado quanto agora
(...) ContinuaMarcadores: mas q filosofia nada, sempre
A Quebra do Ovo
"A ave luta para sair do ovo. O ovo é o mundo. Quem nasce deve destruir um mundo."
(Trecho de Demian - Hermann Hesse)
Enfim me descubro.Destruo o céu de estrelas, meu refúgio de outrora e vejo onde realmente estou.Nem de longe é tão belo quanto o céu de estrelas, mas sei que posso deixá-lo belo.Belo e palpável, como o céu nunca pôde ser.Em meu novo cenário minhas flores serão plantadas por mim.Eu que hei de alimentar minhas aves. Meus pés sentirão o cascalho no fundo do rio.Não haverá nada pintado e nem espelhos.Não haverá nada de ilusório e intocável. Nada a não ser o que sonho durante o sono.Pouco a pouco, da minha vontade nascerão estrelas. Elas serão só o adorno de um mundo real e não a miragem que alegra o homem perdido no deserto antes de sua morte.O bom não será superestimado enquanto o mal é oprimido, ambos terão de conviver como irmãos que sabem um do valor do outro.Pensamento nenhum será banido e a moral do mundo não será uma regra e a vida será levada de modo que de tão completa, excessos serão desnecessários.E então terei me encontrado por completo.
Marcadores: Sentidos
O Jardineiro e a Rosa
"Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor."
( Trecho de A Flor e a Náusea, Carlos Drummond de Andrade )
Um rapaz morreu por uma rosa.O perfume o havia embriagado. O rapaz nunca o havia sentido realmente, mas ele era tão belamente descrito pelos escritores e jardineiros mais experientes, que não houve como não se embriagar.A beleza daquela rosa o havia encantado. Apesar de nunca tê-la visto o jovem rapaz vira inúmeros retratos da bela rosa, tendo até inclusive pintado alguns também belíssimos. Aquela flor tão venerável, tão casta e cheia de glória! Ah como é fácil se apaixonar por aquela rosa! Os jardineiros responsáveis pelo seu cultivo são tão sinceros, carismáticos e apaixonados! Como não querer se tornar um deles? Aquele rapaz se enpenhou tanto no aprendizado do belo ofício!Já naquele tempo havia quem colocasse em dúvida a superioridade da rosa. Dizia-se que há algum tempo em certo vilarejo tornara-se obrigatório o consumo diário do chá daquela erva, que segundo muitos nem flor tinha.Com o tempo op sabor amargo da infusão adoeceu os homens, que pouco a pouco perderam a capacidade de sonhar.Os jardineiros diziam que era absurdo! Que com certeza se tratava de outra erva, afinal o chá daquelarosa era doce, de difícil obtenção, porém doce.O rapaz e alguns amigos decidiram que era hora de por fim na resistência à rosa. Armaram-se, uniram gente suficiente e seguiram rumo à defesa da rosa.Confusão, correria e eis que em menos de meia hora mais da metade dos jardineiros havia sumido entre alvejados e desistentes.O rapaz se perguntava como podiam desistir de causa tão nobre e justa. Lhe parecia tão claro o merecimento da rosa. Era claro que merecia ser amada e cultivada por todos, ao menos aos seus olhos.Pensando nisso sentiu uma dor lancinante invadir seu estômago. Fôra atingido e sangrava.Os amigos tentaram socorrê-lo em meio à confusão do conflito.Antes que asas da morte o envolvessem a última coisa que pensou foi na cor da belíssima rosa: vermelho, como o sangue que lhe abandonava o corpo.Marcadores: ódioda hipocresia
Engano Moral
Esquecem da belezaNegam a canduraGeram a descrençaA tornam flor impuraNão há inteligência?O fim da flor que curaMiserável por definiçãoOstenta os traços dos horrores que criaramRota flor posta sob a podridãoAs palavras sujas trazem medo e opressãoLança em brasa a que alguns nos condenaramMarcadores: ódioda hipocresia
ANAlfabetismo
Vagando pelas ruas
Vou sem rumo e sem direção
Meus olhares contenho com pressa
Pois não trago nenhuma intenção
Meus segredos são muito dispersos
Meus diários de imaginação
Minhas horas eu passo com versos
Meus segredos se moldam, se vão
Quem me lê, o faz do modo inverso
Não me aplico a sua tradução
Já não caibo em nenhuma expressão
Não me encaixo no mundo expresso
Eu expresso um mundo em vão
.
Eu não sigo em caminho reto
Traço rumos de modo discreto
Não cultivo os meus desafetos
Sou feita de letras
E o mundo é concreto
De mim, ANAlfabetos
Marcadores: Sentidos
Moça de Lar
Olha aquela moça
E não deixe que ela o veja
Ela leva-te ao pecado
Por mais santo que tu sejas
Ela esconde no decote
Os fios que lhe trazem dote
E traz rente às suas pernas
Um saquinho sem reservas
Ela sempre leva ervas
Nunca se sabe o que delas fará
Só se sabe que fim não terá
E que ao teu lado ela não tardará
Uns pecados te ensinará
Dois patifes ela há de pagar
Seus belos traços há de amaldiçoar
E a uma criança ela volta
Seu lar
Marcadores: ódioda hipocresia
Outras fases
Um sorriso que é o meu lugar
Campo vasto pra imaginar
Uns olhares pra desvendar
Uns defeitos a perdoar
(e é claro, pra discordar)
Outros gostos
Outras faces
Outros cheiros
Novas fases
Outros olhos tão vorazes
Uns brilhantes e uns vulgares
Outro tempo, outros lugares
...
Há um ímpar entre pares
Marcadores: dias
Violão
Sacio minha sede nas cordas do violão
Seco minhas lágrimas
Calo pensamentos
Abafo meus tormentos
Adio a decisão
Abafo meus soluços nas cordas do violão
Escondo meus problemas
Os rasgo com as mãos
Me perco em meus silêncios
Eu sigo em contramão
Seguindo o meiofio
Levando em minhas mãos
O peso e o desafio
A corda e o violão
Marcadores: Sentidos